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quarta-feira, dezembro 29, 2010

INTRUSAS


Sabem que as pequenas
E rotineiras decepções
São aquelas dores
que quase sempre
Mofam esquecidas
em algum canto do coração
Escondidas e com vergonha
Buscam exílio
no vazio da alma ferida
Vegetam refugiadas
no lar de um ego
Herméticas ao olho
externo do mundo
Corroem em silencio
um corpo feito refém
Que sonha e deseja
excluir as intrusas
Bem antes do tempo
da metamorfose
Que transforma
todo o conjunto invasor
Numa grande
e sempre amarga
desilusão

quinta-feira, dezembro 16, 2010



(cascata da Pulquéria - São Sepé/RS)

Queiras ou não

Queira você ou não
Uma lágrima vai descer
Como as águas
Serpenteando o chão
Para dar a ver
As belas cascatas

Queira você ou não
O choro haverá de ser
Amparo para mágoas
Pela falta de pão
E a falência de ter
Dos bens só sucatas

Queira você ou não
Meu pranto vai viver
Como as tábuas
Como degraus no vão
Esperando morrer
Descendo escadas

sábado, novembro 27, 2010

Farinha


Na fenda do fim
Quando estou só
Lembro de tudo
E de todos
Da espiga de trigo
Triturada na mó
Um grito mudo
De grãos tolos
Moinho por abrigo
O destino do pó
Farinha de mim

terça-feira, novembro 16, 2010


Imagem retirada da web - Este poema foi remanejado lá do início do Blog. Como ando com pouco tempo para escrever e o trabalho estava meio "escondidinho" , trago-o para cá ....
Ponto e Vírgula
Sim sempre hás de ter um
ponto de vista
Afinal é direito
e assim ele se expressa
E deve-se respeito,
A todo e qualquer ítem
Se está escrito na lista
Mas se até esse ponto
a tanto me engessa
Atrevido pretendo
ser gramatical analista
Vou colocando a vírgula,
que se atravessa,
E com a pausa mostro
que há quem resista
Pois tua idéia não pode
se impor na pressa .
Entre parênteses
(encerra-se tua entrevista)
Não te ofendas !
– Eres criança travessa ?
Então vamos brincar
na poesia do artista
Do singular ao plural
a vida se confessa
No recurso da gramática
não se tem avalista .
O ponto é um nômade
que sempre regressa .

quarta-feira, novembro 03, 2010



IMAGEM EXTRAÍDA WEB

MLB – MOVIMENTO LAICO BRASILEIRO

Fui educado no Uruguai, onde meu pai esteve asilado durante o período da ditadura militar brasileira . Para mim ter sido educado na República Oriental sempre foi motivo de muito orgulho . Lá naquele pequeno País da América do Sul a educação se assenta em três pilares fundamentais: - é pública e gratuita – é obrigatória e, por fim, - é laica. Tudo isso graças às bases estabelecidas por um grande homem que se chamou José Pedro Varela . Quiçá graças a esse homem o Uruguai chegou a ser reconhecido mundialmente como a SUIÇA das AMERICAS.

Aprendemos desde muito cedo que o Estado não pode ter o direito de dar tratamento desigual a pessoas que professam crenças diferentes. Um espírita ou umbandista deve gozar dos mesmos direitos que gozam os cristãos ou os muçulmanos . E mais do que isso, os agnósticos que desprezam qualquer religião e preferem exaltar a Deus no silêncio de suas casas merecem do estado o mesmo tratamento respeitoso. Por fim, os impostos e tributos pagos por cidadãos ateus em nada diferem dos pagos por crentes ou carolas desta ou daquela religião.

O Brasil, como fruto do trabalho de gerações, sobretudo no universo jurídico e científico, vinha evoluindo lentamente rumo à transformação da estrutura nacional brasileira naquilo que poderíamos definir como um legítimo Estado LAICO, que se contrapõe a um modelo de estado teocrático, onde líderes de determinadas crenças se confundem e até se misturam com o poder político dominante. Essas nações que adotam o poder teocrático, não raras vezes, perseguem e punem cruelmente àqueles que ousam divergir.

Sou daqueles que não quero – não aceito – e combato a hipótese de viver num estado dominado por Aiatolás ou Bispos sectários . Desejo para mim e para as futuras gerações um estado que seja capaz de discutir políticas públicas como o uso de preservativos – o direito ao divórcio – e tantas outras conquistas de direitos civis , sem a influência fundamentalista de lideres religiosos.

Depois da desconstrução e da implosão desses valores, produzidos por uma campanha vulgar e lastimável do candidato José Serra, o que todos os brasileiros assistimos com preocupação foi a contaminação de temas religiosos para um debate que reclamava outras prioridades. Mais do que isso, a candidata vitoriosa foi obrigada a se vergar , a assumir posições pró-religião, sob pena de pagar um preço maior nas urnas. Em outras palavras, o Brasil laico perdeu as eleições.

Afigura-se, portanto , necessário estender um convite a todos os brasileiros que desaprovam isso , independentemente de partido político, para unir forças em prol de um MOVIMENTO LAICO BRASILEIRO , de maneira a consolidar uma instituição não governamental que sirva de contraponto a esse absurdo introduzido à história recente de nossa Nação.

Vamos defender uma profunda reforma na legislação e estabelecer um debate aberto e franco com a sociedade civil brasileira . Vamos defender a tributação de estabelecimentos de saúde, educação e comunicações que sob a “fachada” da religiosidade se transformaram em potências econômicas que proliferam ao beneplácito da imunidade tributária.

A todos aqueles que pensam como o expressado nesta crônica, fica o convite para somar forças na consolidação de um MOVIMENTO LAICO BRASILEIRO – Para tal fim deixo meu e-mail à disposição: - ivan.cezar@hotmail.com

sexta-feira, outubro 15, 2010


Soneto da Instabilidade

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Ela jamais pretendeu te ferir

Sabia da fria susceptibilidade
Emaranhada em ocultos cachos
De invisíveis uvas agridoces
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Ela simplesmente queria rir
Abafar essa tua dura hostilidade
Tão comum aos bichos machos
E todos seus ímpetos precoces
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Ela , deves ver , só sonhou dividir
Pelo imenso parreiral da felicidade
Algumas flores pelos muitos galhos

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Nunca gostou de tanta instabilidade
Pois foi feita mulher e veio para parir
Consagrar amor em meio às foices

sexta-feira, setembro 17, 2010

A LENDA DA PULQUERIA

A Lenda da Pulquéria

Muitas lendas existem
Uma delas atrai e encanta
A todo e qualquer ser
Dos que vivem ou que vem
Ao lugar de onde sou

Bocas de gerações insistem
Que era só um puro encanto
A Índia Pulquéria de se ver
E na Gruta uma marca tem
Do Índio que tanto a amou

O Cacique Sepé sem desdém
Caiu rendido à beleza tanta
Tendo seu amor por merecer
Uma guerreira paixão, dizem
Eternizada no mito que ficou


( Da série de poemas DE ONDE SOU )

terça-feira, agosto 17, 2010


Guerreiro

Encarnação de povos bárbaros
Tremulavas guerras ao vento
Eras o soldado bem comandado
Em batalha de chão emprestado

Ruminavas a carne e o sangue
No grande banquete do avarento
E seus muitos ingredientes raros
Servidos no front encomendado

Fazendo história em ritmo lento
Formavas a legitimada gangue
Que captura os perfumes caros
Em qualquer combate planejado

Acuado pelo ruído dos disparos
Não ouviste da viúva o lamento
Nem o choro eterno e abortado
Do piá refugiado lá no mangue

quinta-feira, julho 22, 2010


H o j e

Hoje já não mais quero
Aquele beijo negado
No esconderijo da voz
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Hoje tudo o que quero
É esquecer o passado
Frio d´um tempo algoz
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Hoje canto o quero-quero
Buscando ar renovado
Fugando às bruxas de Oz
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Hoje navego no rio Quero
Num sonho desvairado
Desaguando em bela foz
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quarta-feira, julho 07, 2010

Amálgama
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A tempestade é anunciada
Em ruído e clarão
Amálgama de elementos
Todos no plano de cima
Feixes de luz !
Celestial imunidade
Da grandiosa gestação
Para os poéticos momentos
Na altura a mistura sagrada
Aqui embaixo a rima
Que ao poeta conduz !
A fotossíntese é aclamada
Pelos nobres sentimentos
Iluminada geração !
Que aos versos induz !

quarta-feira, junho 30, 2010


Aritmética
Esquece a geometria,
olvida-te da álgebra
São inúteis em teu ofício
de garimpar sonhos
O gosto do arquiteto
não adere à tua obra
Foge do engenheiro
de seus exatos cálculos
Pois tua poesia
prescinde d´outras variáveis
A monumental obra
com seu contorno obtuso
A dura estabilidade
eqüilátera do triângulo
Faz exatidão odiosa
que só te deixa confuso
Nada há de ciência
nos versos sem ângulo
Sim, é certo que a aritmética
produz bens incontáveis
Teus poemas, ao contrário,
não se medem
Nunca serão engendrados
por frios notáveis
Para tê-los a ciência
jaz e espera por um alguém

sábado, junho 19, 2010


Cartas de Agosto

Aquelas cartas de agosto
Nunca foram escritas
Eram letras enforcadas

Presas na grande garrafa
E no gargalo do desgosto
Morreram elas constritas

Desordenadas e sem posto

Elas jamais foram postadas

domingo, junho 13, 2010

Frio de Inverno
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Noites longas e frias
De história aclamada
invadem meus dias
A porta do albergue
Exige ser fechada
Há uma lenha morta
queimando na lareira

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E um perfume de fogo
Traz calor enclausurado
O ar gelado lá fora
Vai trilhando suas vias
Como a sombra fugida
Na curva sempre torta
Sendo coada na peneira
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Sob o brilho das três Marias
Sopra um vento molhado
É o inverno escuro parindo
suas mudas manias
Moldando nossas vidas
Na restrição de sua porta
Reinando à sua maneira
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sábado, maio 29, 2010


Conselhos
------------
Há um tempo de conflito
e a viagem é tremenda
Escolhe os destinos,
mas cuidado com a liberdade
O mundo é um labirinto
Nunca esperes trilhas douradas,
elas são só pura lenda
Os caminhos por andar
e dos destinos de verdade
Estão marcados,
não te iludas,
na fechada agenda
Toma cuidado com os sonhos
e segue a realidade
Atento às lonas de parada,
pois há perigo em cada tenda
Facilita não aos desconhecidos,
não há cara na maldade
Deves recusar ajuda fácil
e viver só com tua renda
Acredita no poeta
que também viajou
na sua latejante puberdade
Volta logo a teu lugar
reencontra tua contenda
Chegando ao leito da jornada,
Dorme noite de paz
Porque sem perceber
terás já feita a tua idade .

quarta-feira, maio 12, 2010



Soneto do Rapto


Haverá sim um valor de resgate
Pelo beijo que não foi dado
Pela desculpa mal inventada
Pelo sofrimento e seu desgaste
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E vai custar caro esse resgate
Segregado em envelope selado
Na ante-sala da lápide cimentada
Onde aguardará um que o gaste
----------------------------------
Haverá o pagamento do resgate
Pelo seqüestro d´um sonho mofado
Pela canção que não foi cantada
----------------------------------
Não há tesouro que por si se baste
Frente a uma vida desperdiçada
Na frenética busca ao elo raptado
----------------------------------

segunda-feira, abril 26, 2010

(imagem da WEB)

Poema do Giro

É óbvio que a esfera gira
Tudo está a arrodear
A massa é movimentada
Nem tua idéia é linear
-----------------------------
Pensadores ardem na pira
E as vozes a alardear
A redonda vista marcada
Do previsível limiar
-----------------------------
Mas tudo gira e vira mira
Até a pomba invulgar
Da crença desrespeitada
Rodopia sem cessar
-----------------------------
Gira–gira e a cabeça vira
Teu mundo é circular
Há um ciclo sem parada
Um círculo espetacular
-----------------------------
Pois se a esfera se faz tira
É só a fatia do bailar
Na grande pista aterrada
Que te incita a especular
-----------------------------

sexta-feira, abril 23, 2010




Pessoal - este poema está lá no início do Blog, e como muitos ainda não me conheciam , estou postando-o novamente. Espero que leiam e gostem.


Olhares

Agora estás exposta
aos olhos do mundo
Já foram flagrados
teus amores secretos
E a noite devorou
teus mil segredos
Todos teus desejos
São rasos conhecidos
Dá adeus, despede-te !
Dos encontros clandestinos
Caíste nas lentes
do olho indiscreto
Agora estás nua
no centro do maior teatro
Partiu o espelho
em que te vias invisível
Na enorme platéia
só há olhos cretinos
E tua vida é o espetáculo
desta vil exibição
Logo tu que julgavas
o olhar como previsível
Não acreditavas
nos espiões escondidos
Agora partiu o cristal
O vento sacode os panos
aos olhos do mundo

segunda-feira, abril 19, 2010

- O meu - o teu - e o seu ..........

Teu quarto

Aquela peça é cheia de enredos
Nada é mais sombrio, mais escuro
Do que as fronteiras do teu quarto
Cubo hermético de segredos
----------------------------------------------------
Caixa forte de todas as paixões
Pequeno espaço d´ampla ilusão
Das ocultas e reveladas verdades
Do sono impiedoso,do amor em vão
-----------------------------------------------------
Estojo em veludo dos teus prazeres
Vestíbulo de descanso da sensata mão
Se faz cárcere silencioso dos rancores
Ou teatro (sem platéia) de fantoches
-----------------------------------------------------
Luz de ator que recusa aplausos
Diminuto palco de uma vida
E das outras vidas que te fazem
Apenas mais um títere dentro dele
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quinta-feira, abril 15, 2010



Estou resgatando esta postagem que estava esquecida lá no início do Blog, propiciando a leitura para todos os seguidores. Espero que gostem.

RENDIÇÃO

Quando um dia

eu for te ver

Novamente,

uma outra vez

Dessa vez

vou querer ser

Definidamente,

sem o talvez

E já prestes

a me converter

Sairei do templo

da escassez

Timidamente

vou me render

Ao tempo

pelo que ele fez

Ao amor

sem me arrepender

quinta-feira, abril 08, 2010

Espero que gostem deste poema que estou re-postando - eu não obstante seja suspeito por ser o autor - gosto muito dele :

O SILENCIO

O silêncio
merece um poema
Merece ser o ator
O artista principal
Protagonista de muitas coisas
Porque nele se escondem elas
As perguntas sem resposta
E respostas sem voz ou palavra

O silêncio
desmerece um lema
Destrói uma confiança
Firmada e afirmada
Num régio pacto
de fidelidade
Em seus muros
encerra o nada
Os sentimentos encarcerados
Em obra
de mui forte concreto

O silêncio
aqui não é só o tema
É muito mais
que ruído abafado
Porque também aprova a tudo
Até reprova
sem velado murmúrio
E diz tudo
sem nada ostentar

Apenas ele,
tão quieto ,
tão discreto
Ele,
o silêncio ...

sexta-feira, abril 02, 2010

Apocalipse

Nem bem o sol raiou e deu para ouvir o barulho do caminhão e um grito do operário que recolhia o lixo da casa, seguindo sua maratona pelo norte da rua . No dia anterior, o médico havia determinado um repouso e , como convém , a desobediência de advogado, havia produzido horas de trabalho examinando peças de um processo complexo. Sim, um processo complexo, que para quem não sabe, se resume em briga grande ...
O dia se estendeu, e nele – como já sucedera em tantos outros - foram inseridas passagens de diversas outras pessoas . A empregada doméstica e o carteiro passaram pela casa e deixaram seu fragmento de vida . As crianças cumpriram sua rotina na escola e os vizinhos produziram os mesmos ruídos cotidianos e rotineiros. A vida – já devem ter percebido - produz uma série de imitações, por vezes impiedosa ...
Na mídia a repetição monótona dos mesmos fatos , mudando apenas o palco teatral e os protagonistas da novela viva, na qual se inseria também o escritor que instigado pela fria observação do panorama, não tivera outra inspiração que não se debruçar sobre as palavras , manipulando-as para gestar um texto capaz de expressar esse rude momento e tornar público o viés de um conflito interior .
Existe sempre uma partícula do calendário reservada para que o poeta possa expressar sua revolta – seu descontentamento – simplesmente porque as hierarquias sociais não permitem que se encontrem para filosofar todos esses personagens que , enclausurados em suas celas egocêntricas, fecham o circuito daquilo que convencionamos chamar de dia – mais um dia – no somatório do tempo que cabe nas quatro letras da palavra que define essa adição - vida . . .
E se tudo terminasse, como anunciam repetidamente os fatalistas ... e se o apocalipse estivesse marcado para o próximo minuto ? – Onde caberia o lugar diferenciado para as reflexões do filósofo ou para os textos gerados pela angustiada verve ?
Ah, sim ! – é provável que no asteróide incandescente ou na profundidade da inundação esteja sordidamente oculto o instrumento da isonomia e um nível sobrenatural coloque todos os protagonistas dentro de um mesmo espaço, sem lugar para a hierarquia das compreensões . Quiçá nesse momento, apenas o lixo que o operário recolheu pela manhã, sobre como o único conceito capaz de ser distribuído entre todos os miseráveis seres que por longos séculos insistiram em não entender o quão igual é a raça humana perante essa incógnita que se chama universo .
Universo , que alheio às vaidosas ou indiferentes ilações , nos gera e nos traga e pelo qual inexoravelmente serão engolidos todos os conceitos vivos ... nem mesmo o verso – a poesia – ou a brilhante tese cientifica sobreviverá a esse ataque feroz – o julgamento final . O fim ...

sexta-feira, março 26, 2010



Herança

Da série de poemas " DE ONDE SOU "


Sobre minha terra
e meu lugar
Poderia nenhuma linha
escrever
Contudo estaria no vazio
a sepultar
Toda a potência
do meu ser
Germinada neste chão
de além-mar

A inércia produz sempre
poesia sem raiz
E , se me entendem ,
não existe
Poema órfão,
nem poeta sem País
Não cultuar o passado
é coisa triste
Que traz vergonha
aos ancestrais

Por isso é que escrevo
tantos versos
Poemas em madeira bruta
sem tinta ou verniz
Que retratem minha
tenra origem
E então deixo para
os mais moços
Esta muda herança
da longa viagem

domingo, março 14, 2010


V I A G E M
Pensas viver
no planeta marte
Te faz infeliz
Um lar permanente
E a ânsia de andar
é o teu estandarte
Pois um trem vai partir
já para o oriente
Não tenhas medo,
embarca e parte !
Despede-te dos teus
com o olhar sorridente
Verás já o feito
da mão que fez arte
Se o possível retorno
te traz noite delirante
Não te preocupes !
a seu devido tempo
Voltarás n´uma nau
que vem do ocidente

quarta-feira, março 10, 2010


SONETO À FILHA

Que tu, minha filha, sejas assim
Sempre uma pessoa inteira
Mas presa a um ser intangível
Que andes no perímetro de mim

****

E que ainda plena e verdadeira
Fujas da linha do impossível
Sem ouvir os parâmetros do fim
Nem temer a inefável besteira

***

Que debeles o arco do invisível
E na aventura azul vestida de brim
Faças dos sonhos a arma certeira

***

Que tu , minha filha, venças assim
Sem receio aos mitos do invencível
Ou ao paredão humano da geleira

sábado, março 06, 2010


Monarquia

Extrair magia e poema
no reino das palavras
Por certo é uma tarefa
Ora difícil , ora sublime
Porque o acesso é restrito
às almas sinceras
O tesouro é intangível
e imune ao crime
oooOOooo
No império dos versos
as jóias são singelas
A monarquia se assenta
em trono de vime
Riquezas são obtidas
em encantadas querelas
A paz da poesia
cala a voz que oprime
oooOOooo
Pois o poeta é sensível
ao choro das favelas
Seus versos são o tal
calcanhar do regime
No reino do poema
não cabem outras lavras
E nesta alquimia
não há intruso que arrime

terça-feira, março 02, 2010


IMPLICAÇÕES JURÍDICAS DO RELATO
DE KURT SONNENFELD


Creio que o Livro “EL PERSEGUIDO” – publicado pela Editora Planeta de Buenos Aires – ainda não foi traduzido para o português , mas tive a felicidade de ler a obra, que é um relato do próprio autor Kurt Sonnenfeld, envolvendo sua participação nos episódios imediatamente posteriores ao atentado das Torres Gêmeas , em Nova York.

Kurt Sonnenfeld , cidadão americano , era agente da FEMA , (Federal Emergency Management Agency), uma agência do governo dos EUA que age em situações de catástrofes , documentando e investigando os eventos causados por ação da natureza ou mesmo humana . Os agentes da FEMA, portanto, convivem com as demais instituições do estado, tais como o FBI e a CIA no cenário pós sinistros.

Foi nessa condição de agente estatal que Kurt Sonnenfeld documentou todo o cenário de destruição do World Trade Center, e foi justamente devido a essa sua participação nos acontecimentos que foram deflagradas uma série de situações que literalmente implodiram sua vida , inclusive privando-o da liberdade e culminando com sua atual condição de asilado político , refugiado em Buenos Aires onde vive com sua a esposa argentina que conheceu após sair dos EUA.

Mas o que chama a atenção no relato do livro “EL PERSEGUIDO” é a fragilidade institucional em que se viu jogado esse cidadão que após o suicídio de sua primeira esposa também americana, foi acusado de homicídio contra todas as evidências de prova que apontavam cabalmente para suicídio. Mesmo tratando-se de um importante agente da FEMA, estranhamente conta o autor que foi abandonado ao cárcere e só conseguiu a liberdade depois que seus advogados provaram perante um Juiz americano a fragilidade das acusações que desprezavam, entre outras provas, o exame residual de pólvora na mão da própria vítima além de uma carta de despedida, onde anunciava a intenção suicida.

Revogada a prisão, emocionalmente liquidado, o homem viajou para a Argentina onde lhe foi oferecido descanso num imóvel no famoso balneário de Mar del Plata , propriedade de pessoas alinhadas à família, a fim de que pudesse se recuperar dos traumas da prisão injusta e reencontrar o equilíbrio que lhe fora subtraído.

Já em solo argentino conheceu e se apaixonou por uma jovem portenha , com a qual resolveu casar e não mais retornar para os EUA , tamanho o trauma que lhe restou do contexto. Contudo, mesmo depois de ter sido liberado pela Justiça de seu próprio País, foi um dia detido pela Interpol e jogado ao cárcere na Argentina por solicitação do governo dos EUA que pedia sua extradição, como que rasgando todas as provas que sua defesa já havia logrado produzir.

Numa trama de espionagem e de conspiração que deixa o leitor perplexo, Kurt Sonnenfeld teve de se submeter a mais alguns meses de desgastante prisão na Argentina, até que um Juiz Federal de Buenos Aires resistindo a toda a pressão e barganha dos EUA negou o pedido de extradição , reconhecendo que o homem corria até mesmo sério e iminente risco de morte.

A motivação para toda a perseguição é revelada no Livro EL PERSEGUIDO e deixa o leitor perplexo, pois induz à conclusões claras de que muita informação foi sonegada ou manipulada à opinião pública no episódio do atentado contra as torres gêmeas e , pior do que isso , acena para a possibilidade de que arquivos secretos depositados em escritórios governamentais situados no complexo haviam sido esvaziados antes dos ataques, o que foi documentado por Kurt Sonnenfeld, inaugurando uma implacável caça ao ex-agente.

Muito mais que um relato cinematográfico e traumático, o livro “EL PERSEGUIDO” revela uma fragilidade jurídica monumental , posto que no País que se intitula como a maior democracia do mundo e detentora de um Judiciário confiável e eficaz , a narrativa de Kurt Sonnenfeld permite a qualquer operador do direito sentir calafrios diante da intolerável interferência do “estado” num processo criminal , forjando indiciamento injusto e prisão arbitrária , além de uma perseguição internacional a um inocente. Recomendo a leitura – realmente bombástica !

sábado, fevereiro 27, 2010


Acidente

Já consumado o acidente
O tempo, senhor , reclamou
Foi cobrada a tarifa e o valor
Devidos ante o incidente

Tudo na verdade mudou
Sem dispensar frio expediente
De nada o choro adiantou
E nem mesmo aliviou a dor

Porque consumado o acidente
Veio o depois ... que sobrou
Vítimas da verdade pendente
Na sinistra fusão da viva cor

quarta-feira, janeiro 13, 2010


F é r i a s

Lá se foi mais um ano
De agenda lotada
Agora são as férias
================
Usando menos pano
N´uma outra estada
Sem as tarefas sérias
================
Libera-se o insano
================
Na bendita parada !
================

segunda-feira, janeiro 04, 2010

TAPAPÓ BRANCO

Já escrevi diversos artigos e crônicas contando dos tempos em que minha família residiu no Uruguai, fruto do asilo político imposto a meu pai pelo regime militar brasileiro, após o golpe de 1964. Hoje quero, contudo, me posicionar apenas no tema do uniforme escolar que todos nós trajávamos na escola uruguaia e que , pelo que sei, continuam trajando até os dias atuais – uma simples túnica branca, aqui no Brasil chamado de “tapapó” , que era decorado por uma “moña” (tope) azul.
O Uruguai é um dos menores países da América do Sul, porém um dos que detém maiores índices em educação e cultura no mundo, e creio que temos muito a aprender com os uruguaios. Lá, sob inspiração do pensador José Pedro Varela, o ensino é público, gratuito e obrigatório, tratado pelo estado como uma prioridade.
Mas não é só isso – o ensino público é laico e toda a filosofia é voltada para consolidação dos valores sociais e interesses coletivos.A túnica branca era geralmente exigida até a altura dos joelhos e se prestava a cobrir por inteiro a roupa de todos os alunos, nivelando ricos e pobres , de tal maneira que no ambiente escolar se consagrava uma isonomia plena.
Todos éramos iguais e nosso único objetivo era o de estudar e receber do estado uma formação digna.Assistindo ao episódio da aluna de uma universidade paulista, fiquei perplexo com o julgamento - a meu juízo equivocado da sociedade - que, em sua expressiva maioria posicionou-se contra a direção do educandário e favorável à bonita, mas extravagante moça . Até ministérios e entidades tradicionais do país como a OAB se posicionaram em defesa da jovem.
Numa nação tolerante, onde as mulheres não sofrem com privações e preconceitos como em outros pontos do planeta e onde pode-se freqüentar a balada, bares ou mesmo outros ambientes festivos trajando qualquer roupa, o mínimo que se espera é que, pelo menos em ambientes acadêmicos e em locais de trabalho, seja respeitado um limite de sobriedade e de rigidez nas posturas.
O espaço físico e o ambiente escolar, tanto quanto o local onde se desenvolvem atividades profissionais ou empresariais prescinde de respeito a determinadas fronteiras de preferências íntimas e, por certo, nesse episódio a sociedade deveria ser convidada a refletir mais profundamente sobre a extensão do conceito de responsabilidade individual diante do interesse coletivo restrito.
Sem dúvida alguma, que a velha túnica – tapapó branco – nivelaria todos os estudantes evitando que os corredores escolares fossem transformados em passarela para desfile de “modelitos” e/ou competição de moda – esta concebida como ícone de posicionamento na casta sócio-econômica – consagrando diferenças que são incompatíveis com o objetivo de um local onde apenas dever-se-ia buscar o crescimento intelectual, pessoal e ético e, ao depois – e como conseqüência – o progresso material.
Mas, ao que parece, a juventude brasileira começa a buscar a notoriedade a qualquer custo, e ascensão social pelo viés da banalização de princípios éticos, sobretudo, porque é muito mais fácil e rápido ganhar dinheiro se despindo à lente das câmeras ou expondo a intimidade, do que se graduando na academia. Se há uma mídia disposta a premiar a futilidade e a exposição íntima – e paga bem - que se dane a academia!...