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domingo, dezembro 23, 2012


2012 começou e está terminando como sendo um ano muito complicado em minha vida. Muita coisa que não cabe nem mesmo nos indecifráveis espaços da poesia. Tanta coisa, que o silêncio e o resguardo acabaram sendo a melhor opção . Talvez a melhor ...
Mas se o momento é de clausura, inclusive para o ciclo de tempo que se vai - que vá - seja lá passado já ...
Eu cumpro com o dever - ao menos por urbanidade e carinho com quem visitou este Blog mesmo sem ter muita novidade para ler - de desejar um FELIZ NATAL e que o ano de 2013 possa ser bem melhor do que foi o ano que passou . Como já disse CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE o ano novo nos induz à esperança de renovação e de acreditar que daqui para a frente , vai ser diferente !!!

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Momento




Eu não gostaria

Que a Dona tristeza

Visitante da hora

Velasse o sabor

Da única certeza

Que vejo agora

Girando na sala fria

Onde se aloja a dor

Pois longe da pureza

Só o diabo te adora

E me resta só uma via

Um destino e uma cor

quarta-feira, novembro 28, 2012

Sobre o fim do mundo ...



Se creditadas as versões de alguns fatalistas estamos todos condenados aos nossos últimos instantes de existência neste planeta . Assim como em outros momentos da história, profecias indicam o fim dos tempos . Será chegada a hora , portanto , de dizer adeus ...

Ou não ...

Há outros , nem tão fatalistas assim , que interpretam as profecias com outra dimensão menos catastrófica . Dizem eles que haverá tão só uma grande modificação tanto no planeta quanto na espécie humana.

Não haverá o fim do mundo.

Dizem eles que a data esperada no mês de dezembro servirá para que sejam reencetadas novas relações entre nossa espécie e a terra . Que o homem entenderá sua inserção como um ser universal e não apenas como um usuário predador do planeta.

 
Alguns colocam a ferver no mesmo caldeirão conceitos da Bíblia Sagrada com Profecias de Nostradamus e interpretações variadas do calendário Maia. Ufólogos, pesquisadores, arqueólogos, enfim, inúmeros personagens dão suas cotas de opinião.

 
Homens proeminentes como Aldous Huxley entregaram grande contribuição à diferenciação entre um modelo de ciência material, quase ateia , e outro de ciência esotérica, ressonante e transcendental . Particularmente eu aceitei macerar esse pensamento crítico quando , há alguns anos , li o “Elogio da Loucura” de Erasmo de Rotterdam.

 
Passei a acreditar que a ciência pura e exata não traz felicidade e dei muito crédito às conclusões de Erasmo . Desde então me somei àqueles que pensam que a fé e o misticismo podem – e devem – conviver com a ciência exata e que há um fundo de verdade em todas as previsões esotéricas.

 
Uns desacreditam totalmente disso tudo, enquanto outros acreditam tanto nas previsões que até formaram comunidades prontas para esperar ( e enfrentar ) as datas apocalípticas. Nestes momentos , alguns fazem discursos religiosos inflamados e outros exercem moderação e conciliação de conceitos longe de livros sagrados ou templos decorados. E há , por fim , os que ficam totalmente indiferentes.

 
Você, que se deu ao trabalho de ler este pequeno texto, certamente , se não havia ainda escolhido um desses grupos para se filiar, sairá dessa leitura com a sensação de quem realizou uma escolha e saiu “de cima do muro”. Nem que seja pela seara da indiferença ...

terça-feira, outubro 23, 2012

Risco d´agua




Minhas lágrimas correm

Não como um rio caudaloso

Mas num andar de míngua



Rabisco de um fio brilhoso

É justo lá onde elas morrem

Num pobre risco de água



Prenúncio de calor maldoso

E certeza de alguma mágoa

quinta-feira, agosto 30, 2012

ERROS E ACERTOS







Eles são comuns em toda e qualquer história de vida e podemos afirmar que nossa existência está atrelada aos erros e aos acertos. Apenas variações de intensidade e de alternância temporal fazem a diferença das biografias . De certo modo, somos – todos - uma fria e objetiva síntese desses dois conceitos.

Se as palavras pudessem resumir o extrato do que já foi vivido, parece crível que esses dois vocábulos se apresentariam como anfitriões aptos para receber a visita de muitas outras palavras, a eles associadas . Errar e acertar, por exemplo, nas escolhas – quer melhor palavra que essa: a escolha .

Escolher certo ou errado o produto que foi objeto de tão longo desejo pode não ser tão nocivo quanto escolher errado a pessoa a quem confiamos nossos mais caros segredos ou hipotecamos nossa mais sublime solidariedade.

E o que dizer da palavra decisão quando associada a esses dois vocábulos. Erramos ou acertamos nas nossas decisões , implicando isso em tantos desdobramentos quanto possíveis dentro do leque da razão humana ou da imprevisibilidade atrelada à irracionalidade de certos eventos ...

Acertamos sempre quando cultivamos o melhor de nós em prados alheios e erramos sempre quando julgamos precipitadamente aquilo que não entendemos em território estranho.

Aprendemos muito quando aceitamos sem o ranço do rancor os erros passados e erramos na mesma proporção quando vencidos pelo orgulho repetimos tropeços apenas vestidos com roupagem diferente, mas comparecendo à mesma festa do mesmo e imutável demônio.

Duas – só duas – expressões que me inspiram a escrever este texto , num momento em que vencido um fragmento significativo do tempo de estadia que Deus me concede , olho para trás e tenho de me submeter ao balanço. É a contabilidade comum aos vivos, da qual não me arredo, errando ou acertando , mas escrevendo sobre a parte que me toca na amplitude da extensão semântica desses vocábulos.

quinta-feira, agosto 02, 2012


Agulhas







Chuva de agulhas
De costura
Que fazem as roupas
Ou das outras


As da sutura
Da vida que poupas
No vão das festas
Mais agulhas


Aquelas – as furadas
Das veias e polpas
Que prometem altura

Linhas e pontos
Agulhadas nas frestas
Fincadas na mistura

terça-feira, julho 03, 2012

Cotas











Há sempre uma quota


Como a divisa posta


Até para quem não gosta


Mas a carrega na pasta






Cumpre com sua cota


E nem arrisca aposta


Pois a sorte nunca pisca


Nos olhos de uma bota






Cada passo é como uma nota


Que no currículo encosta


Cada caminhada é imposta


No curso da trilha e sua rota

sábado, junho 02, 2012


Um domingo

Queria um pouco mais
Mas nada veio
De novo para o domingo
Nem cartões postais
Para dar um vêio
Da esperança em pingo
Partida ao meio ...

terça-feira, maio 22, 2012

Por nada







Foi por quase nada


Que na curva da meia noite


Quando o desejo batendo


Tal ventania em açoite


Afastou-se da estrada






E lançada à própria sorte


Aprendeu a andar correndo


Apressada e estabanada


Foi desenhando o recorte


Que sempre beira a balada






E, então , por quase nada


Enfrentou-se com a morte


Na escuridão assustada


Sem noção alguma do norte


Murmurava a voz deitada

quinta-feira, abril 12, 2012



Energia solta






As tais das bombas,
a explosão e seus fogos
O fascínio ou o arrepio
da liberada energia


Fogueira em artifício
Rasga pensamentos
ou traz delirantes sonhos
É tanta luz e força

a fazer logo a alegria
Sabes sem ela
se imolam os raios
Sequer se criam

vãs rimas à Maria
Na tela preta
se ocultam os pontos
São estrelas em confraria


Venham fogueira e frio !
para gerar sua cria
Que o vento logo
Espalhará seus contos

sexta-feira, março 16, 2012

Teatro da vida







A cidade inteira


É como um cenário


Onde como protagonistas


Eu atuo e tu atuas






Cada um à sua maneira


Uma jornada , um horário


E também outros artistas


Representando nas ruas






Cena lenta ou ligeira


Espetáculo hilário


Atenção dos articulistas


E as emoções nuas






Tudo escrito na beira


Na margem do dicionário


Que deixa as pistas


Do fim das dores tuas

sexta-feira, março 09, 2012

PRECONCEITO


A FICÇÃO e a vida REAL se encontram em determinados momentos. No filme estrelado por TOM HANKS o personagem fica preso no terminal de um aeroporto, impedido de entrar nos EUA . Pois esta semana repercutiu muito o caso de uma senhora brasileira - idosa com 77 anos - que ficou retida no aeroporto de Madrid, impedida de entrar na Espanha pelas autoridades de migração . Há um receio doentio dos europeus com a migração de latinos. É óbvio que o contexto atentatório à dignidade humana provocou reações aqui no Brasil. Mas só quem já viajou à Europa sabe que isso é comum - mais que comum, aliás .... Nos 15 anos da minha filha Thaís fomos interpelados por um policial português que disparou "Ora, porque estou a ver tanta gente??" , ao que respondi - POIS É MINHA FAMÍLIA E ESTAMOS VIAJANDO JUNTOS PARA COMEMORAR OS 15 ANOS DE MINHA FILHA ..... passamos, mas poderíamos ter ficado .... Os europeus que saquearam nosso continente - literalmente exploraram minas de ouro, prata, diamantes e sugaram nossos produtos florestais e primários, agora nos tratam com xenofobia, com racismo e preconceito social . Asqueroso .....

terça-feira, fevereiro 07, 2012

SONETO DIFERENTE



Saindo de férias  ( saliendo de vacaciones )


SONETO DIFERENTE




Pois vou dar luz a um poema

Que seja simples o suficiente

E sonho que ele vire emblema

De um sentimento incipiente






Terá de ser um poema barato

Versos que não custem caro

Produzindo um valor abstrato

Imune à saciedade e ao enfaro






Darei vida a um verso diferente

Que seja visto como um lema

Sem dispêndio e sem maltrato






Será um soneto que sem problema

Cantará como criança irreverente

A canção que não coube no retrato

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quarta-feira, janeiro 25, 2012

Sobre o dever








Dever, é assim como querer


Que não me venha o castigo


É como antever um parecer






Das letras frias que eu mastigo


No papel que me julgo merecer


É discussão que tenho comigo






Um retrato do que não vou ter


Sombra escura com quem brigo


E uma analogia com o teu ser






Sim , tu carregas presas contigo


As cartilhas que eu devo ler


Para vergar o inimigo do abrigo

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Há no Ar

Imagem da web


Há no ar







Há no ar uma outra poluição


Das piores,


Das bem nocivas


Não vem das chaminés


Diversidade de efluentes


Todos podres


Mas trazem também destruição


Na voz de pessoas decisivas


Nada a ver com o camponês


Se dizem todos influentes


São pobres


Ventos gêmeos da perdição


Fixam fronteiras_divisas


De um arranhado português


Maltratado por indiferentes


Pesos nobres


No vale-tudo da imposição


Trincheira de lavras incisivas


Semeadura de muitos porquês


A ambição é regida em brilhantes


Cofres_cobres