sábado, abril 04, 2015


Irrelevância


Sinto profundamente
Mas vou te dizer
Entendo teu levante
Tua revolução
Que é justa

Teu sonho de fazer
Da terra o firmamento
O bem levado avante
É a tua devoção
Que é justa

Mas logo ali há o poder
E tua voz é irrelevante
Não causa comoção
Diz a força rudemente
Que é justa

Tua idéia só é relevante
No âmago do teu ser
Que é de bom coração
E repete mecanicamente

Que é justa

segunda-feira, março 16, 2015

Sobre tua dor


Respinga em mim a tua dor
Latejando em silêncio
Nas profundezas invisíveis
De alguma parte incolor
Inaudita e inabitável
Do meu ser
Queria ver ao menos a flor
Única sobrevivente
Do jardim oculto do ontem
Com seu aroma indolor
E o resíduo de alguma cor
Para se ver
Mas tua dor pinga e respinga
Em palavras indizíveis
Que ao longe ecoam
Enquanto busco respostas
Na utopia intocável
Do não ter ...

terça-feira, dezembro 16, 2014

R O U P A G E M 



No primeiro verso
de tiro curto
Rasgo a tira
de uma fina seda
Fiapo legado
de impreciso corte
Só um pedaço
de pano em surto

Até porque a peça
Se inteira é fugaz
A força da mão
decreta a morte
E num outro verso
o fio se desenrola
Sem o modista
o pano é sem sorte

Costuro só os retalhos
Sobras da paz
Bem pude aprender
que qualquer fio enreda
E vestes de luxo
atraem o furto
Raso fim do poema
para roupa de porte

quarta-feira, setembro 17, 2014



TIRETA CANDENTE


Não mais
acredito
No encanto
de estrelas
Cadentes
No entanto
Aclarado à luz
de velas
Suo descrentes
calores
No mais
Agora
sempre repito
Incandescentes
Ideias

quarta-feira, setembro 03, 2014



Recipiendário


Nem sempre desejou
Tampouco pediu
Mas eis que recebeu


 Não protestou
Nem mesmo balançou
Tampouco faliu
 

Mas olhou para o céu
E então reclamou ...

segunda-feira, julho 07, 2014

Calendário 

Viver  é como viajar
Pelas caixas do calendário
Como se encaixar
Em dias ditos úteis

Ou em inúteis vias
De papéis de formulário
Não é simples contagem
Nem uma mera estatística

É um vai-e-vem
Da jornada fantástica
Correria e desvantagem

Onde sempre se tem
Números para superar
E um feriado no obituário

quinta-feira, janeiro 16, 2014

INCONCLUSÃO




Em que lugar do grão armário
Estará guardada a última linha
Que conclui o libelo prescrito

Talvez nem seja ponta d´espinha
De um texto que não foi escrito
É incompleto, é vazio e temerário

Verso parido por aluno primário
Que no sexto ainda não detinha
A chave que dá o acesso restrito

Talvez incesto de vocábulo áureo
Alfabeto frio de moço de rinha
Briga inconclusa de outro distrito

sexta-feira, outubro 25, 2013

Resguardo 

Eu me resguardo

Em casulo invisível

Alternando ruas

Pois é sabido que existem

Nuas vozes no aguardo

No pó do imprevisível

Que habita entre as duas

E por vezes me anulo

Porque medos persistem

E eu me resguardo

Ah, o destino tem as suas ...

Não caminho e nem pulo

Fujo do vento terrível

Em silêncio e atordoado

Volto quieto ao casulo

terça-feira, outubro 15, 2013

A t e u

 Não espere não
Vá embora
Pois você bateu
E  se quer saber
A dor se demora
Perde-se no céu
Da fé do então
Virado em  ateu
Só se tem no agora
O temor de crer
Sem a tênue ilusão
No  vinho do réu
Ou na côr que dora
A casca do pão

terça-feira, setembro 17, 2013



Dúvida
 Bem antes no tempo
Veio o ensinamento
De um jeito bom
De ouvir o não
 Depois, no movimento
Incessante do tempo
Um arruinado som
a dizer que sim
 E pelo discernimento
Produto do tempo
Com seu devido tom
Uma dúvida no fim