quarta-feira, setembro 17, 2014



TIRETA CANDENTE


Não mais
acredito
No encanto
de estrelas
Cadentes
No entanto
Aclarado à luz
de velas
Suo descrentes
calores
No mais
Agora
sempre repito
Incandescentes
Ideias

quarta-feira, setembro 03, 2014



Recipiendário


Nem sempre desejou
Tampouco pediu
Mas eis que recebeu


 Não protestou
Nem mesmo balançou
Tampouco faliu
 

Mas olhou para o céu
E então reclamou ...

segunda-feira, julho 07, 2014

Calendário 

Viver  é como viajar
Pelas caixas do calendário
Como se encaixar
Em dias ditos úteis

Ou em inúteis vias
De papéis de formulário
Não é simples contagem
Nem uma mera estatística

É um vai-e-vem
Da jornada fantástica
Correria e desvantagem

Onde sempre se tem
Números para superar
E um feriado no obituário

quinta-feira, janeiro 16, 2014

INCONCLUSÃO




Em que lugar do grão armário
Estará guardada a última linha
Que conclui o libelo prescrito

Talvez nem seja ponta d´espinha
De um texto que não foi escrito
É incompleto, é vazio e temerário

Verso parido por aluno primário
Que no sexto ainda não detinha
A chave que dá o acesso restrito

Talvez incesto de vocábulo áureo
Alfabeto frio de moço de rinha
Briga inconclusa de outro distrito

sexta-feira, outubro 25, 2013

Resguardo 

Eu me resguardo

Em casulo invisível

Alternando ruas

Pois é sabido que existem

Nuas vozes no aguardo

No pó do imprevisível

Que habita entre as duas

E por vezes me anulo

Porque medos persistem

E eu me resguardo

Ah, o destino tem as suas ...

Não caminho e nem pulo

Fujo do vento terrível

Em silêncio e atordoado

Volto quieto ao casulo

terça-feira, outubro 15, 2013

A t e u

 Não espere não
Vá embora
Pois você bateu
E  se quer saber
A dor se demora
Perde-se no céu
Da fé do então
Virado em  ateu
Só se tem no agora
O temor de crer
Sem a tênue ilusão
No  vinho do réu
Ou na côr que dora
A casca do pão

terça-feira, setembro 17, 2013



Dúvida
 Bem antes no tempo
Veio o ensinamento
De um jeito bom
De ouvir o não
 Depois, no movimento
Incessante do tempo
Um arruinado som
a dizer que sim
 E pelo discernimento
Produto do tempo
Com seu devido tom
Uma dúvida no fim





terça-feira, junho 18, 2013

OUTROS TEMPOS

Há um estoque de histórias
Que são de outros tempos
Lembranças leves de mãos leves
De vozes doces e palavras doces

São conjuntos de outros tempos
Miniaturas de um mundo todo
Embaladas no estojo de cima
Como legado fecundo do vivido

Do que foi feito em outros tempos
Quando uma estação era um clima
Onde o banho de sol era um modo

E outro cabia na serra das neves
Mas isso tudo, em outros tempos
Arquivados em curtas memórias

terça-feira, abril 30, 2013


Astúcia

Rasga as folhas de papel virgem
Haverão de arder como lenha
Filhas espúrias da árvore morta
Esmaga bolhas de ar da margem
Buscando decifrar a vadia senha
Cúmplice  de uma história torta

Desde uma outra porta
Aberta ou não
Rasga páginas filhas da fúria
Para escrever então
Uma síntese que comporta
Negar a estrela da cúria

Rasga as folhas de papel virgem
Se nelas não couber o embrião
Mastiga os grãos da vargem
Deixa que a natureza às tenha
Para copular em outra estação
A astúcia dos versos que surgem

terça-feira, abril 23, 2013


Poema a uma instância

Há uma outra instância

Onde cabem respostas

Onde as perguntas morrem

Onde as dúvidas se dissolvem

Percorrendo a distância

Posta  em rotas e apostas

Entre um sítio e uma estância

Num chão que as dores varrem

Há, sim, uma outra instância

De ventania deixada às costas

Onde as mágoas se resolvem

Onde os valores se promovem

Onde a vida é a substância

E as verdades bem dispostas

Cunham frases que comovem