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terça-feira, maio 26, 2009


Crescimento

Dorme bem, saudoso menino!
Vai longe em nuvens de sonhos
Sob acordes de chuva e vento
Na bateria ritmada dos pingos

A profusão de choro franzino
Sob o pobre telhado de zinco
Que toda noite fita teus olhos
De criança em bom ritmo lento

Descansa teu corpo pequenino
Porque logo vai apertar o cinto
E muitos murmúrios risonhos
Invocarão o feroz pensamento

No tom de um verbo feminino
Copulando a hora dos adultos
Rompe-se a mão e seus cinco
Expondo o inocente ao relento

domingo, maio 24, 2009


Sedução

Prometeu dar-lhe o céu
Do jardim os perfumes
Dos metais o ouro fino
Do mundo só o paraíso

Anotou na lista o véu
No enxoval de costumes
Agregou o som do sino
Em horizonte indiviso

Revelou-se, sim um réu
Defraudou os volumes
Fiel à voz de um cretino
Fugiu sem o prévio aviso

quinta-feira, maio 21, 2009


Separação

O amor engendra sua sina
Na ancestral separação
Da vida pela obra divina
Que foi partida na criação
Cada qual na sua melanina
Molda sua própria conspiração
Vem o tempo, mão vespertina
Reunir almas em comunhão
Mas eis que bate a tal rotina
Invocando uma outra divisão
E como a noite se descortina
Toda vida volta à conclusão
A ampulheta sua areia rumina
O ciclo termina na evaporação
Pois a escuridão se ilumina
Na obra prima da eterna cisão

sábado, maio 16, 2009

Comentando a postagem de CELINA VASQUES , em seu BLOG, com minha cabeça apimentada pelo vinho e pela admiração que tenho por ela, o comentário postado em forma de poema:

Comentário

(Para Celina Vasques)

Eu, se pudesse,
entregaria a voce
Um jardim inteiro de rosas
vermelhas
amarelas
brancas
e ,como convém,
rosas azúis
Em todas elas
agregaria um beijo
mas não um beijo qualquer
um beijo regado a versos
Que pudessem exalar
na noite de seus sonhos
o prazer de uma viagem
com destino certo
No endereço da plena
felicidade !!

sexta-feira, maio 15, 2009


Um médico, o advogado e Borges

Pode parecer loucura, mas provavelmente o Ivan Cezar que pelo óbvio ululante não difere muito dos demais bípedes que integram a tal espécie humana, esteja vivendo seu surto momentâneo de insanidade. Que assim seja , então !

Como o Ivan Cezar compõe a vasta classe dos súditos que no império da sobrevivência, renova sua rotina na selva de um escritório de advocacia , onde o volume da contenda faz restar a ninharia dos ponteiros do relógio, ficam francas só esparsas migalhas de poesia.

Para manter o convívio – salutar contato com a parceria – as horas de trégua do advogado determinam o colar da bunda na cadeira, num diálogo dedilhado com o microcomputador . E na ciranda dos contudos, como a poesia é leitura, um livro vez por outra reclama sua fatia de tempo e hoje os olhos se fixaram no Borges...

Ah, sim ! – Ele o Borges argentino ou seria muito mais que isso ...traz para o texto o outro sujeito que integra o título : - o médico. O Doutor que assim como o vizinho advogado também abandona seu ofício e se entrega ao poetar.

Jaime Vaz Brasil, para quem o leu , plasmou Borges em seus olhos , tanto assim que escreveu “Os olhos de Borges”,em indelével reverência ao mestre . Desde sua Porto Alegre , o Jaime poeta é variedade de Ivan Cezar - o advogado e o médico - não nessa ordem necessariamente, mas em ambos o fascínio e a reverência ... Borges, o cara – e aqui só um carinha que pediu uma trégua ao “Personal Computer” .

Lendo os versos do Borges , alertou-me o tigre portenho que Deus, em momento de sublime ironia, ofertou-nos dois livros e uma noite ... Sim, a luz e a escuridão . Sim, o desejo incontido de saber ...de interpretar ...de respirar a inspiração e aspirar a poesia !

Mas que droga ! – Se meu tempo se esvai, tenho de acabar , e me acalmar, porque está próxima a madrugada de sono e o despertar abrirá a agenda para as causas do advogado tanto quanto aguardam na recepção , vestidos de doença , os pacientes do médico ...

Nós, provavelmente, observados pelos olhos do Borges que o Jaime cantou na nossa Porto Alegre , ou pelo próprio Borges que quiçá, ao empreender a longa viagem, tenha se libertado desse maldito tigre ... A fera ... o assustador e implacável demônio do tempo que, neste momento de insanidade literária fez Ivan Cezar reunir – no delírio de um resto de noite , o médico , o advogado e os poetas ... mas tudo , como convém aos loucos, com a devida e prévia permissão de Borges ...



MAIS UMA POSTAGEM SOLIDÁRIA, ATENDENDO PEDIDO DE MINHA QUERIDA AMIGA GRAÇA GRAÚNA, TALENTO PURO LÁ DE PERNAMBUCO .

A tradição oral e as novas tecnologias da memória, Rio de Janeiro, RJ · 15/6 a 20/6
graça grauna · Jaboatão dos Guararapes (PE) · 4 · 15/5/2009 14:06 ·

Entre os dias 15 e 20 de junho de 2009, no Rio de Janeiro, acontecerá o VI Encontro Nacional de Escritores(as) e Artistas Indígenas. O tema em pauta enfatiza a “A tradição oral e as novas tecnologias da memória”. O objetivo é discutir os usos das tecnologias para a preservação e a atualização da memória ancestral de nossa gente. O Encontro acontece no XI Salão do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e pretende também reunir pessoas que estão desenvolvendo trabalhos teóricos e práticos dentro desta área de pesquisa com especial enfoque na produção literária. O evento se realizará junto ao 11º Salão FNLIJ , no Centro Cultural Ação da Cidadania. Participarão do VI Encontro, parentes indígenas oriundos das diversas regiões do Brasil. Da programação, vale ressaltar o momento em que estaremos reunidos com os imortais da Academia Brasileira de Letras, com os educadores das redes pública e particular de ensino, com estudantes universitários da Universidade Estadual do Rio de janeiro (UERJ) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em meio ao evento atenderemos as crianças e jovens em nosso estande institucional dentro do salão do livro. Daniel Munduruku, presidente do Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual (Inbrapi) e grande artivulador do VI Encontro, fala da expectativa de trazer o debate para o universo da literatura a fim de “mostrar como esta atualização está se dando de forma a complementar – e não destruir – a oralidade dos povos indígenas brasileiros”. Para Daniel, a intenção é “contribuir para o desenvolvimento de um pensamento holístico que mostre o congraçamento entre tradição e as tecnologias”. Confira a programação:Dia 17 de Junho - Período da manhãRitual e mesa de abertura com a presença de Beth Serra e convidados.Palavras de boas vindas por Daniel MundurukuTEMA: CAMINHOS DA MEMÓRIAMesa 01: Memória, Oralidade e Literatura.Mediação: Ely Macuxi Graça Graúna – Doutora em LiteraturaMarcos Terena – Liderança e diretor do Memorial dos Povos Indígenas de Brasília.Severiá Xavante – Professora de Língua e Literatura brasileira.INTERVALO: CONTAÇÃO DE HISTÓRIASMesa 02: Memória, Oralidade e as artes (grafismo, dança, música e ritual).Mediação: Eliane PotiguaraSiridiwê Xavante – Coordenador do Instituto das Tradições Indígenas - IDETILuciana Kaingang – Artista Plástica e Graduanda em Biologia pela UPF. Atua como educadora social no Ponto de Cultura Kaingang Xohã Karajá – Artista Plástico e arte-educadorPeríodo da tardeTEMA: NOVAS TECNOLOGIAS DA MEMÓRIAMesa 01: Memória: Imagem em açãoAthya Pankararu – Diretor da Ong indiosonline que utiliza a internet para divulgação dos conhecimentos ancestrais.Isabel Taukane – Coordenadora do “Círculo dos saberes” que reúne jovens de diferentes povos do Mato Grosso com o objetivo de reavivar a cultura tradicional.Um representante da ONG videonasaldeias iniciativa que faz registro de imagens dos diversos saberes tradicionais.Mediação: Ailton Krenak – Jornalista, diretor do Núcleo de Culturas Indígenas e da “Aliança dos Povos da Floresta”. MOSTRA DE FILMES INDÍGENASSorteio de livros e cultura material para o público presente.Encerramento do seminário com a presença de Beth Serra, da FNLIJ.

segunda-feira, maio 11, 2009


De Noite

Na hora da lavra
Quando chega a meia noite
Um algo me seduz
Convida a escrever
A compor ...
Na noite
Que me reduz
Ao escuro que faz saber
Dispor ...
Ver na palavra
Um verbo em açoite
Que conjugado induz
A um prazer
De noite !

terça-feira, maio 05, 2009

Prisioneiro

Fui detento em cárcere privado
Desafiei o poder dos pássaros
Quis voar num sonho desvairado
Despertei precisando de reparos

Ambicionei ser como o beija-flor
Sem entender que é proibido
Raptar o jardim e ter toda a cor
O pesadelo fixou-se envaidecido

Dormia ao som de roncos e rancor
Nas manhãs acordava entristecido
Só os pássaros detém o esplendor
Voam de encontro ao escondido

Não consegui curar minha louca dor
Retomei então o vôo arremetido
Para na noite arejar um sonho voador
E acordar vendo nascer um foragido