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segunda-feira, abril 26, 2010

(imagem da WEB)

Poema do Giro

É óbvio que a esfera gira
Tudo está a arrodear
A massa é movimentada
Nem tua idéia é linear
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Pensadores ardem na pira
E as vozes a alardear
A redonda vista marcada
Do previsível limiar
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Mas tudo gira e vira mira
Até a pomba invulgar
Da crença desrespeitada
Rodopia sem cessar
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Gira–gira e a cabeça vira
Teu mundo é circular
Há um ciclo sem parada
Um círculo espetacular
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Pois se a esfera se faz tira
É só a fatia do bailar
Na grande pista aterrada
Que te incita a especular
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sexta-feira, abril 23, 2010




Pessoal - este poema está lá no início do Blog, e como muitos ainda não me conheciam , estou postando-o novamente. Espero que leiam e gostem.


Olhares

Agora estás exposta
aos olhos do mundo
Já foram flagrados
teus amores secretos
E a noite devorou
teus mil segredos
Todos teus desejos
São rasos conhecidos
Dá adeus, despede-te !
Dos encontros clandestinos
Caíste nas lentes
do olho indiscreto
Agora estás nua
no centro do maior teatro
Partiu o espelho
em que te vias invisível
Na enorme platéia
só há olhos cretinos
E tua vida é o espetáculo
desta vil exibição
Logo tu que julgavas
o olhar como previsível
Não acreditavas
nos espiões escondidos
Agora partiu o cristal
O vento sacode os panos
aos olhos do mundo

segunda-feira, abril 19, 2010

- O meu - o teu - e o seu ..........

Teu quarto

Aquela peça é cheia de enredos
Nada é mais sombrio, mais escuro
Do que as fronteiras do teu quarto
Cubo hermético de segredos
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Caixa forte de todas as paixões
Pequeno espaço d´ampla ilusão
Das ocultas e reveladas verdades
Do sono impiedoso,do amor em vão
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Estojo em veludo dos teus prazeres
Vestíbulo de descanso da sensata mão
Se faz cárcere silencioso dos rancores
Ou teatro (sem platéia) de fantoches
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Luz de ator que recusa aplausos
Diminuto palco de uma vida
E das outras vidas que te fazem
Apenas mais um títere dentro dele
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quinta-feira, abril 15, 2010



Estou resgatando esta postagem que estava esquecida lá no início do Blog, propiciando a leitura para todos os seguidores. Espero que gostem.

RENDIÇÃO

Quando um dia

eu for te ver

Novamente,

uma outra vez

Dessa vez

vou querer ser

Definidamente,

sem o talvez

E já prestes

a me converter

Sairei do templo

da escassez

Timidamente

vou me render

Ao tempo

pelo que ele fez

Ao amor

sem me arrepender

quinta-feira, abril 08, 2010

Espero que gostem deste poema que estou re-postando - eu não obstante seja suspeito por ser o autor - gosto muito dele :

O SILENCIO

O silêncio
merece um poema
Merece ser o ator
O artista principal
Protagonista de muitas coisas
Porque nele se escondem elas
As perguntas sem resposta
E respostas sem voz ou palavra

O silêncio
desmerece um lema
Destrói uma confiança
Firmada e afirmada
Num régio pacto
de fidelidade
Em seus muros
encerra o nada
Os sentimentos encarcerados
Em obra
de mui forte concreto

O silêncio
aqui não é só o tema
É muito mais
que ruído abafado
Porque também aprova a tudo
Até reprova
sem velado murmúrio
E diz tudo
sem nada ostentar

Apenas ele,
tão quieto ,
tão discreto
Ele,
o silêncio ...

sexta-feira, abril 02, 2010

Apocalipse

Nem bem o sol raiou e deu para ouvir o barulho do caminhão e um grito do operário que recolhia o lixo da casa, seguindo sua maratona pelo norte da rua . No dia anterior, o médico havia determinado um repouso e , como convém , a desobediência de advogado, havia produzido horas de trabalho examinando peças de um processo complexo. Sim, um processo complexo, que para quem não sabe, se resume em briga grande ...
O dia se estendeu, e nele – como já sucedera em tantos outros - foram inseridas passagens de diversas outras pessoas . A empregada doméstica e o carteiro passaram pela casa e deixaram seu fragmento de vida . As crianças cumpriram sua rotina na escola e os vizinhos produziram os mesmos ruídos cotidianos e rotineiros. A vida – já devem ter percebido - produz uma série de imitações, por vezes impiedosa ...
Na mídia a repetição monótona dos mesmos fatos , mudando apenas o palco teatral e os protagonistas da novela viva, na qual se inseria também o escritor que instigado pela fria observação do panorama, não tivera outra inspiração que não se debruçar sobre as palavras , manipulando-as para gestar um texto capaz de expressar esse rude momento e tornar público o viés de um conflito interior .
Existe sempre uma partícula do calendário reservada para que o poeta possa expressar sua revolta – seu descontentamento – simplesmente porque as hierarquias sociais não permitem que se encontrem para filosofar todos esses personagens que , enclausurados em suas celas egocêntricas, fecham o circuito daquilo que convencionamos chamar de dia – mais um dia – no somatório do tempo que cabe nas quatro letras da palavra que define essa adição - vida . . .
E se tudo terminasse, como anunciam repetidamente os fatalistas ... e se o apocalipse estivesse marcado para o próximo minuto ? – Onde caberia o lugar diferenciado para as reflexões do filósofo ou para os textos gerados pela angustiada verve ?
Ah, sim ! – é provável que no asteróide incandescente ou na profundidade da inundação esteja sordidamente oculto o instrumento da isonomia e um nível sobrenatural coloque todos os protagonistas dentro de um mesmo espaço, sem lugar para a hierarquia das compreensões . Quiçá nesse momento, apenas o lixo que o operário recolheu pela manhã, sobre como o único conceito capaz de ser distribuído entre todos os miseráveis seres que por longos séculos insistiram em não entender o quão igual é a raça humana perante essa incógnita que se chama universo .
Universo , que alheio às vaidosas ou indiferentes ilações , nos gera e nos traga e pelo qual inexoravelmente serão engolidos todos os conceitos vivos ... nem mesmo o verso – a poesia – ou a brilhante tese cientifica sobreviverá a esse ataque feroz – o julgamento final . O fim ...