terça-feira, dezembro 29, 2009


UMA VEZ
Lembrava uma incerta vez
há muito tempo ...
Quando vigorava o desprezo
*******
Não se mediam belas horas
Ela vivia intensamente
Ausente o intrometido talvez
*******
Tudo era muito mais lento
E o censor estava preso
Em suas massificadas gaiolas
*******
Vivendo nua e mansamente
No vasto projeto que fez
Flertava com a face do vento
*******
Ergueu uma fortaleza em toras
Imune ao ataque do ciumento
Que (soberbo) esperava sua vez ...
*******

terça-feira, dezembro 15, 2009

(imagem da web)

Mentirosa

Mentirosa não é só a palavra
Grafada na inércia do papel
Cuspida à boca dissimulada
ooOOoo
Mesmo se abortada em larva
Mentirosa é a mão do dossel
Afago malicioso que estorva
ooOOoo
Dedo indicador da emboscada
ooOOoo
Mentirosa é a voz presa ao anel
ooOOoo

terça-feira, dezembro 08, 2009


Este poema resultou de um fato da vida real. Da minha vida. Foi no tempo em que meu pai estava asilado no Uruguay . Acordei com a surpresa daquele brinquedo maravilhoso. Mas no dia seguinte viajamos e esquecí o brinquedo num táxi ... Virou poema !
Helicóptero de Natal

Num tempo d´outrora, um natal da infância
Debaixo da cama acordou-me um presente
Helicóptero de plástico, tão logo perdido
Remoto descuido, de um dezembro distante
oooOOooo

O natal se foi no táxi de um desconhecido
Brinquedo nunca esquecido guardado latente
Papai Noel para o alheio e o piá entristecido
Nos outros natais a nave voou novamente
oooOOooo

Acordando a criança que me fêz um aguerrido
Sempre lembro d´ele de um jeito irreverente
O artefato voador acorda um pirralho atrevido
Ainda à espera de um dezembro menos carente

sexta-feira, dezembro 04, 2009


Versos mudos

Perguntam porquê
meus poemas são mudos
Intriga o fato d´eles provocarem
Tantas estranhas reações
Confunde-se a ação da poesia
na alma alheia
Eles, porém, não tem,
Por favor entendam !
jamais terão, voz própria ...

Versos não falam , nem gritam,
sequer murmuram
Poderão ganhar vida,
desde que sejam aceitos
Já dizia Drummond
Dentro da simples
e total iniciativa da leitura
Terão sua vitória
quando arrancarem lágrimas

Quando capazes de produzir
Ao menos um momento intenso
E no rugir do tigre de Borges
Fizerem-se cúmplices
na hora da gostosa solidão
Companheiros de uma viagem
sem movimento
Cantados por uma voz pura
atingirão sua plenitude

Neste estágio serão úteis
na construção de vidas
Transformados em ferramentas
para despertar os sonhos
Tal catavento de Quintana
Meus versos aí estarão
cumprindo sua missão !
Mas vivos na letra fria,
seguirão sempre mudos.

quinta-feira, novembro 26, 2009

( imagem da WEB )

Vida e Poesia

Ele voava e tinha super poderes
Enfrentava inimigos de plástico
Só temia o efeito da criptonita
Mas conjugou o verbo crescer

oooOOooo

Vieram novos amigos e prazeres
Ele abdicou do mundo fantástico
Balançou na variedade da melanina
Até o limite da arte de entender

oooOOooo

Logo aprendeu a apurar os haveres
Bailou no salão do cofre frenético
Então precisou ingerir a vitamina
Para a saturação do verbo vencer

oooOOooo

Quando viu o cabelo desmerecer
Sentiu a voz de um sujeito patético
Que avisava a passagem da menina
No rumo de outra cama a estender

oooOOooo

Ele imune a todos os falsos dizeres
Maturou versos n´um tom estético
Para dar cria à uma poesia cristalina
Na penúltima dança do verbo viver


sexta-feira, novembro 20, 2009


L I B E R D A D E


A miopia é um subproduto
da desatenção
Viver a pleno é olhar
Fechando antes os olhos
Entender que não só a grade
faz a linha da prisão
Buscar a verdade
na trilha dos atalhos

Festejar pelo simples andar
é mera ilusão
No quadro já pintado
só sobram retalhos
A liberdade se esconde
Na cortina da contemplação
D´um mundo invisível
e de segredos velhos

Imperceptível na cela escura
Mas em plena expansão
Se buscas ser livre
foge dos vivos espelhos
Conjugarás os verbos
desprezando a razão
Livre, enfim, serás
do rol dos perdulários

quarta-feira, novembro 18, 2009

(imagem da web)

MASSAS DE MANOBRA

Na rígida elasticidade
Erétil do fio da navalha
Deslizavam ocas
Elas - as ideias

Fatiadas com felicidade
Ao coro de vento canalha
No cio das fofocas
Eram pobres aldeias

Sem visita da especialidade
Muita massa se espalha
Na vastidão das malocas
Jardim de damas feias

É implacável a vil maldade
Lâmina inimiga da falha !
Picando bocas
Moldando teias ...

segunda-feira, novembro 09, 2009


Os muros

Empurrar os muros
É necessária essa força
A força de empurrar
Alguns muros
Eles foram concebidos
Para isso também
Cumprem sua missão
Sem dúvida alguma
Sempre separam
Asilam e isolam
Coisas , gentes ...
Almas e amores
Crescem e imponentes
viram muralhas
Outros, porém,
Não são impotentes
Resistem e empurram
E quando muitos
A eles se somam
Que bom,são várias forças !
E então , eis que caem
os malditos muros !

quarta-feira, novembro 04, 2009


( como é .... e como era o Hotel de Beira ....)



Cidade da Beira


Na Africa pobre

Na cidade de Beira

A beira do caos

Na vasta poesia

A verdade é inteira

Na prática dos maus

A repetida besteira

Da América nobre

Os nervos à beira

A miséria nas naus

Naves na esteira

Viagem que encobre

Vidas no caos

Humana ladeira !

quinta-feira, outubro 29, 2009

( Estarei ausente por alguns dias - até mais ....)

Oração de Viagem

Senhor , meu Deus , Grande Arquiteto do Universo:- Hoje estou preparado para viajar - malas prontas, tanque cheio - que Tu me protejas e me guies para , como instrumento de tua bondade, espalhar paz e concórdia por onde eu passar. Livrai-me de todo e qualquer incidente para que , por primeiro, não cause danos à ninguém e ,ao depois, protege meu corpo e minha alma . Que no caminho possa contemplar todo o esplendor de tua obra divina e que ao chegar ao destino saiba agradecer as dádivas, para alimentar a mesma fé que guiará meu retorno ao lar e aos braços de minha família. Que assim seja !

segunda-feira, outubro 26, 2009


Canto da Pessoa Especial

Canto para uma pessoa especial
Pela simples razão dela existir
Afastando a veloz multidão
Enterrando a voz manipulada
Selando a vala com pá de cal

Cantar à uma pessoa especial
Significa à maldade resistir
Porque o mundo virou fração
E a bondade não é imaculada
Nem flui de um manancial

Canto para uma pessoa especial
Para ela do fino tecido se vestir
Desfilando toda sua distinção
Na passarela da vida resignada
Que aglomera muita gente igual

sexta-feira, outubro 23, 2009


Presente à namorada

Ofereço-te,meu amor, estas letras
Entrelaçadas e ajustadas
Reunidas em forma de versos

Queria mesmo dar-te flores
Mas no jardim cartazes impressos
Anunciavam as portas fechadas

Usei como caneta uns espinhos
Fiz buquê de flores pelas frestas
Com a tinta as palavras grafadas

Juntei a técnica dos perfumistas
Para dar aroma a estes tercetos
Tudo só para ti , minha adorada

quarta-feira, outubro 21, 2009






A Usina “Cuñapirú”
Uma boa polêmica vem plasmada nesta crônica que pretende saborear um prato quente de história , temperado com pimenta , aliás, da bem forte , daquela que quando agregada ao alimento provoca bastante o paladar ... ou que pelo viés literário, acenda no texto o necessário calor do convite à leitura crítica.
No Brasil, pátria amada , circula a informação de que a primeira usina hidrelétrica da América Latina foi construída na terra das Minas Gerais, em Juiz de Fora , onde foi erguida a usina Marmelo Zero, que teria sido inaugurada entre 1888 e 1889 . Foi a primeira experiência de geração de energia elétrica via recursos hídricos em solo brasileiro.
Disso não pretendemos duvidar. Mas , e aí vem o contudo, certamente, a hidrelétrica (ou seria hidroelétrica) “Marmelo Zero” não foi, definitivamente a primeira usina da América Latina,como pretendo demonstrar aqui nesta singela crônica.
Em 1882 uma empresa de mineração inglesa seduzida pela exploração de ricas jazidas de ouro na região norte do Uruguai, próximo à fronteira oeste do estado do Rio Grande do Sul, iniciou a construção daquela que foi – aí sim – a primeira de todas as usinas hidrelétricas da América Latina, instalada no povoado de “Minas de Corrales”, distrito do Departamento (município) de Rivera, há aproximadamente cem quilômetros da fronteira brasileira da cidade de Sant´Ana do Livramento/RS.
Inaugurada, portanto , no mínimo seis anos antes da usina mineira, represando as águas do Arroio “Cuñapirú” , a hidrelétrica alimentou durante muitos anos as máquinas que beneficiaram algumas toneladas de ouro, metal precioso que seguiu o mesmo caminho das riquezas extraídas por estrangeiros na América Latina – a Europa.
Diferente da usina mineira que recebeu verbas para a preservação do acervo histórico, a “Usina Cuñapirú” está em ruínas , degradando-se tanto quanto se degrada a economia do pequeno povoado de “Minas de Corrales” , onde o pouco ouro que resta está sendo ainda extraído (ou seria esvaído).
É lamentável que um patrimônio histórico dessa envergadura se encontre em tal estado de abandono , constituindo-se em mais uma clara demonstração de que a globalização é um processo que visa apenas e tão só afunilar as riquezas , pois nenhum grupo econômico estrangeiro , dos tantos que operam por aí , demonstrou o mínimo interesse em restaurar e/ou preservar a história.
Aqui, ao menos, uma crônica que visa consagrar a verdade e que deixa para os leitores a história apimentada de duas realidades relativas a duas velhas e pioneiras usinas: a mais antiga do Brasil – restaurada – e a mais antiga da América Latina – abandonada – no norte do Uruguai, no pobre e bucólico povoado de “Minas de Corrales”.

domingo, outubro 18, 2009


Acusação

Acuso-te
Oh, ser insignificante !
Perverso oportunista

Maldito sejas
Pelo mal produzido
Verme traiçoeiro

Acuso-te
Oh , besta invisível !
És pregador pessimista

Nem me olhas
Ao menos por um instante
Micróbio vigarista !

quarta-feira, outubro 14, 2009



( Para BENNY FRANKLIN , minha justa retribuição )

R e v e l a ç ã o


Confesso alimentar menos
o medo da revelação
E nutrir um temor muito maior
ao revelador
Pois já ví muitos percorrendo
a trilha do cão
Por beberem o elixir
ideológico d ´um sedutor
Posseiros da Lei divina
atraindo à salvação
E o altar santo camuflando
a mão do violador
Bombas que explodem
em nome d´uma religião
O monopólio da fé
na boca de egoísta pregador
Aliado ao discurso guerreiro
da poderosa nação
Mentira comum
de um mesmo germe matador
Então faço destes versos
minha poética revelação
Entre os credos ou ideologias
vale é o benfeitor
O legado deste poema
é chamar tua atenção
Arranquemos a máscara
De quem quer que seja
o ardiloso enganador

segunda-feira, outubro 12, 2009


C O M P A R A Ç Ã O

Quem não teme a comparação
Nunca deve ter sofrido por amor
Porque a cada capítulo passado
Da novela viva da vida real
oooOOOooo
Sempre se atravessa a desilusão
No cartão de visita do vencedor
Jaz a marca do sentimento lesado
No revelar d´um destino desleal
oooOOOooo
Onde a arte de comparar é a mão
Que acena à alegria do predador
Dando adeus a um aroma furtado
Cata _vento d ´um jardim irreal

quarta-feira, outubro 07, 2009





Participem do Blog Action Day, este é um evento anual que une os bloggers do mundo na abordagem de um mesmo assunto no mesmo dia com o objetivo de difundir a discussão em volta de uma questão de importância global.

segunda-feira, outubro 05, 2009

S e i o s

São mais que sedutores
E atraem sem meneios
Símbolo de rara beleza

Assim são os lindos seios
Por vezes se farão fatores
Da partilha em sua dureza

Rasgam fortunas em rateios
Ganham voz de promotores
Para complicação da pureza

A natureza dona dos meios
Sem dar preferência às flores
Impõe seus espinhos feios

sábado, setembro 26, 2009




Reencontro

Quando se está à deriva
Em caminho perdido
Uma voz é bem vinda

Orientando n´um sentido
Indicando novo destino
Mirando uma linha finda

Anjo anônimo intrometido

Face amável da vida linda

sábado, setembro 12, 2009

Muralha

Minha cidade está triste
Um mau cheiro se espalha
O povo a tudo só assiste
Fiéis afundando a navalha
oooOOOooo
E um discurso que insiste
Na posse de toda a medalha
Nem santo à lógica resiste
Tanta ganância só atrapalha
oooOOOooo
Hoje a cidade é só despiste
Curvada à visão canalha
Mas longe há quem aviste
No horizonte uma muralha