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quinta-feira, julho 16, 2015

O vento e as flores

Quando o vento procura o furo
É porque não gosta de obstáculos
Precisa levar o aroma das rosas
Que ele viu florescer
Para o além das linhas do muro
Necessita abrir os seus tentáculos
Dar sementes para outras covas
E depois vê-las nascer
Ainda que em ambiente escuro
Ele promove vistosos espetáculos
Afaga maciamente as flores vivas
Porque elas vão morrer


quarta-feira, julho 01, 2015

Soneto a um porco

Corte nobre de pernil defumado
Infeliz parte do suíno sacrificado
Mesa farta de abastado comensal
Delícia para um jantar sofisticado

Será tudo perdoado, tudo normal
Far-se-á a ceia com retalhos do corpo
É da cadeia alimentar esse fim fatal
Pois afinal  ,  era só um pobre porco

Depois, o  afago no perfumado gato
Para ele só o carinho e muito amor
Pois é bicho mimoso alheio ao prato

E no outro lado, na direção do mato
Ladram cachorros guardiães da flor
Ávidos pelos restos do porco ingrato